
Não sei bem se manifesto é o termo certo, mas quando penso no que quero dizer é justamente ele que me vem na mente: "Manifesto à família"
Portanto,
Manifesto à família
E é assim que sou. Nascida em 1967. Adolescente dos anos '80. Mimada por ser a caçula. Não me encaixo nos padrões da família que vocês criaram. Não sigo as regras subentendidas. Temo a represália. Temo a repreensão. Estou cansada da ironia e do deboche. Quero me livrar de querer sempre agradar e tentar encontrar no olhar de vocês a aceitação, o aval. Porque não há o que os agrade.
Quero ser para meus filhos aberta e receptiva. Quero aceitá-los e apoiá-los. Quero ensinar que é importante amar a família mais que tudo, principalmente aos pais e aos irmãos. Quero que eles se sintam livres para não precisar me agradar, e sim serem amados pelo que são e mais ainda pelo que não são. Que sejam autênticos e honestos.
Sei que sou motivo para vcs se encontrarem em situações que só vocês pensam ser embaraçosas, justamente pela falsa moral que pregam. Sei que toda aquela imagem de coragem e força que antes tinham de mim, desapareceu diante das atitudes corajosas que tomei na vida. Porque ser infeliz não é uma opção para mim. Muito menos solitária, invejosa e amargurada. Eu não me basto sozinha, não. Minha felicidade é compartilhar, é ter alguém com quem estar, é acompanhar meus filhos nesse início de jornada deles.
Sei que não somos as mesmas e nunca mais seremos. Bastou uma simples agulha de bordar transformar-se em guilhotina, para que o tênue laço que tínhamos se desfazer. Bastaram alguns poucos longos dolorosos minutos de sermão (i)moral. Mas foi graças à essa atitude repreensiva que eu descobri apoio aonde nem pensava encontrar.
Assim que sou. Experimento. Me aventuro. Tenho vida. E não sou conformista ou acomodada. Se quiserem me amar vão ter que correr um pouco, pois o tempo está se esgotando, e a paciência também. Se ainda quiserem vir a me conhecer, vão ter que se esforçar, pois o estrago foi grande.
Abraços frios, poucas palavras, raros telefonemas. Sou sangue, mas não pertenço ao circuito fechado de vocês. Que pena.
Que pena para vocês.
3 comentários:
" aplausos" Maravilhoso post ... ótimo manifesto !!!
Você é divina !!!
Obrigada, Eduardo. Estava entalado na garganta :)
Bravo!! Belas palavras.
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