domingo, 22 de abril de 2012

... sobre leituras e o aborto.

im scare*

Lendo a ZH Dominical, achei um livro que é daqueles da linha tenho-que-ler - "Como viver - uma biografia de Montaigne em uma questão e vinte tentativas de respostas", de Sarah Bakewell, e pensando neste blog, me dei por conta que este cantinho se transformou mais em diário de corridas, viagens e sessões gastronômicas do que qualquer outra coisa mais profunda. 

Daí, resolvi dividir um pouco mais as coisas que vão dentro de mim. Diz a grande Cláudia Laitano na resenha, "ao contrário da literatura de autoajuda, as receitas de "bem viver" de Montaigne tendem a abrir caminhos em vez de ditar regras; leia muito, mas mantenha a mente aberta; seja sociável, mas reserve para si um "quartinho" próprio onde possa se isolar; observe o mundo a partir de ângulos diferentes, evitando assim rigidez nas crenças".

Pensando nesta última frase, um assunto ficou martelando aqui comigo. Falo sobre o caso da Lei a favor do aborto no caso de fetos anencéfalos. Eu, por princípios/filosofia de vida/religião, sou totalmente contra o aborto, e até bem pouco tempo, só aceitava em 2 casos: a) quando a gestante corria risco de vida e, b) gravidez em caso de estupro. Agora, revendo meus conceitos e sendo mãe de 3 crianças saudáveis (uma delas nascida com uma cardiopatia extremamente delicada, já superada após cirurgia), me pego refletindo sobre a anencefalia e o sofrimento de todos envolvidos. 

Por um lado eu acho que as coisas tem que seguir seu curso, começarem e terminarem conforme a natureza demande. Aqui me apego aos meus princípios e ao comodismo, afinal não estou passando por este tipo de gravidez.

Por outro lado, por mais leiga no assunto que seja, sei que a anencefalia pode ser detectada bem cedo, ainda quando toda a dor e todo o padecimento proveniente de uma gravidez assim pode ser diminuído. Então porque não? Saio do meu cantinho cômodo e dos dogmas da religião e aceito o desafio de pensar, de pensar na dor dos outros. (*)

Até que ponto estaria eu indo contra qualquer lei Divina se tomasse a decisão de interromper uma gravidez de um bebê que não sobreviveria mais que algumas horas, fora do meu corpo, em sofrimento imenso não só para ele, como também para mim, para toda a família e para toda os assistentes do parto envolvidos? 

Será que neste caso, o aborto seria o caminho mais cômodo? Ou seria o mais sensato? 

O mais sensato. 


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E o que isso tem haver com corrida? É na corrida que reflito, seja sobre como vencer a agenda da semana ou sobre assuntos como o acima. Sempre na pernada de ida, pois na volta venho fazendo contas de pace/distância/velocidade. 

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2 comentários:

Joel dos Santos Leitão disse...

Parabéns pela reflexão!
Acho que você está certa em tratar outros assuntos aqui no blog.
Não somos apenas corredores, somos um todo que inclui a corrida e a vida em sociedade, que por acaso acabou de ter novamente a discussão sobre o aborto.
Também sou favorável ao aborto dos fetos anencéfalos. Além do que você escreveu, há de se considerar que é um risco para a própria vida da mãe, o que, por consequência, pode ser perigoso para todos que com ela convivem.
Não consigo aceitar que homens fiquem decidindo aqui e acolá (inclusive na igreja) sobre o corpo da mulher. Mas essa já é uma outra discussão...
beijos,
Joel

Alison G. Altmayer disse...

Oi Joel,
obrigado pela visita e pelo comentário!
Volta sempre!

Abç

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