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Acorda - como em sonho, ainda.
Estranha o ventre a arder
sobre os lençóis aquecidos.
Nunca deita assim - e isso lembra, bem até.
Mas o sono profundo,
(com)prova a entrega total.
Dizem que houve chuva e inundação lá fora.
Será?
Que chuva, que!
Ali não.
Através da névoa que a rodeia,
no corpo relaxado e cálido.
Ela sonha.
Seria o som ritmado de antes
chuva na telha?
vento na janela?
ou do amante que passou por ali?
Podia senti-lo ainda.
Escutá-lo, roçando
na curva que o corpo faz na cama.
Vem, me leva:
Para lá do sono,
dos sonhos,
da névoa.,
do calor.
Busca meu corpo nu, de novo.
30.07.12
Vem.
Ms Harkins own piece of work.
Imagem: http://adamscarvalho.blogspot.com.br/
.jpg)
Um comentário:
Sonhar é preciso!
"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
.../..."
António Gedeão, em "Pedra Filosofal"
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