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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Silêncios, de Mario Quintana e outras divagações



Silêncios

Há um silêncio de antes de abrir-se um telegrama urgente
Há um silêncio de um primeiro olhar de desejo
Há um silêncio trêmulo de teias a apanhar uma mosca
... e o silêncio de uma lápide que ninguém lê.

Mario Quintana, Nova Antologia Poética
by Alison - Pelotas


Para mim, há silêncios importantes na corrida. 
Há silêncios profundos na missa. 
Há silêncios de dor nos olhos marejados. 
Há silêncios insistentes na concentração. 
Há silêncios infernais quando quero gritar.

De toda sorte, silêncios. Para

Sonhar e planejar.
Conectar-se. Em paz.
Emocionar-se e lembrar.
Trabalhar e criar. Um processo.
Aprender e desprender-se.

Ah, os silêncios!

Alison, 07/08/17

++++


Ontem não seria dia de corrida, mas como tinha sol e o dia estava lindo, não resisti. Corri e caminhei e corri e caminhei, aproveitando a tarde de domingo. O rincão da cebola estava lotado de famílias e trailers de lanches (arghhhh) totalmente compensados pela vista dos barcos de pesca, do canal e da ilha da Pólvora.

Hoje devo ir de novo só para voltar aos dias certos: segunda, quarta e sexta.


sexta-feira, 21 de julho de 2017


A quién le puedo preguntar
Qué vine a hacer en este mundo?
Por qué me muevo sin querer
Por qué no puedo estar inmóvil?
Por qué voy rodando sin ruedas,
Volando sin alas ni plumas,
Y qué me dio por transmigrar
Si viven en Chile mis huesos?
(Pablo Neruda)

Quem poderia me responder? Eu cheguei nesse mundo impondo minha presença a quem não me queria e ela não me aceitou. Cheguei nesse mundo numa casa estranha à que me seria natural, fui aceito como um refugiado. Os olhares sobre mim sempre foram de indagação: quem és? Qual tua história, Gilnei? Nem meu nome é o que minha mãe teria me dado. Só quem sabe meu nome verdadeiro pode me definir. Eu vivo buscando essa mulher e não fico parado: vagueio por este Sul a procura de mim, da minha origem, de minha mãe – meu amor maior, interrompido.

Alison Guedes Altmayer

20/07/2017 – Escritores de Quinta – Exercício baseado em pergunta de Pablo Neruda

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Vem.

(*)

Acorda - como em sonho, ainda.
      Estranha o ventre a arder
            sobre os lençóis aquecidos.
            Nunca deita assim - e isso lembra, bem até.
Mas o sono profundo,
                                  (com)prova a entrega total.

Dizem que houve chuva e inundação lá fora.
Será?
Que chuva, que!
Ali não.

Através da névoa que a rodeia,
      no corpo relaxado e cálido.
            Ela sonha.

Seria o som ritmado de antes
                                           chuva na telha?
                                                                   vento na janela?
                                                                                            ou do amante que passou por ali?
Podia senti-lo ainda.
Escutá-lo, roçando
na curva que o corpo faz na cama.
Vem, me leva:
                 Para lá do sono,
                            dos sonhos,
                            da névoa.,
                            do calor.

Busca meu corpo nu, de novo.


30.07.12
Vem.
Ms Harkins own piece of work.

Imagem: http://adamscarvalho.blogspot.com.br/

sábado, 19 de maio de 2012

... um pouquinho de Mario Quintana

Thierry Hennequin - Impressionismo

Seiscentos e sessenta e seis


A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...Quando se vê, já é 6a. feira...Quando se vê, passaram 60 anos!Agora, é tarde demais para ser reprovado...E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,eu nem olhava o relógioseguia sempre em frente...e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Mario Quintana
Nova Antologia Poética
Editora Globo S.A.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Punta del Este, Uruguai - Abril, 2012



Poesia

Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único, este
                           efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela,
Sempre...


(Mário Quintana)

domingo, 6 de novembro de 2011

Frente al mar

Praia do Cassino - Treino de 6Km de ontem

... o treino de ontem foi na praia. Embora a planilha pedisse 6Km em velocidade de treino, eu fui meio treino meio cruzeiro. Há momentos em que temos que aproveitar o que a natureza está nos oferecendo: clima, beleza, ar puro, areia, areia fofa, sem vento, temperatura agradabilíssima, companhia perfeita!

O poema de hoje é de Octavio Paz.


Frente al mar

¿La ola no tiene forma? 
En un instante se esculpe 
y en otro se desmorona 
en la que emerge, redonda. 
Su movimiento es su forma. 

2 

Las olas se retiran 
?ancas, espaldas, nucas? 
pero vuelven las olas 
?pechos, bocas, espumas?. 

3 

Muere de sed el mar. 
Se retuerce, sin nadie, 
en su lecho de rocas. 
Muere de sed de aire.


by Octavio Paz


fonte: http://www.poemas-del-alma.com/frente-al-mar.htm

domingo, 11 de setembro de 2011

Arte Expressionista

Joan Miró, famous Catalán painter


My Feet

My feet, my feet,
I love my feet.
I think they're great,
I think they're neat.
They're pretty, pink,
and picturesque.
They look so perfect
on my desk.
Unfortunately,
sad to tell,
they also have
a funny smell.
So though I'm fast,
and though I'm fleet,
and though at sports
I can't be beat,
no team will pick
me to compete,
because they always
smell defeat.

--Kenn Nesbitt--







Para quem tem filhos, este poema de Kenn Nesbitt é bem legal para trabalhar com as imagens sobre os pés. Busquei um pintor Impressionista para mostrar como andam os meus, e por sorte achei esta ilustração Miró. 

Enquanto o poema é leve, suave, gostoso de ler, o quadro é um tanto perturbador, com os dedos derretendo, se desmanchando, sem unhas, pés brancos em contraste com o azul forte do fundo. É como se a vida fosse se esvaindo pelos dedos, em gotas, aos poucos, perdendo a forma e caindo dentro de um mar universal. (viajei nesta manhã linda de domingo) 

Mas gostei da combinação, e neste day off tão merecido, compartilho com vocês um pouco de arte.


Semana de 20 a 26 de março de 2023

  Esta semana foi cheia de exames: cardiológicos, de sangue, teste de esteira. Encaixei a academia e os treinos e deu tudo certo no final.  ...