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O MISTÉRIO DO MUNDO
Fernando Pessoa
XXXV
E o sentimento de que a vida passa
E o senti-la passar
Toma em mim tal intensidade,
De desolado e confrangido horror,
Que a esse próprio horror, horror eu tenho
Por ele e por senti-lo,
E por senti-lo como tal.
XXXVI
Aborreço-me da possibilidade
De vida eterna; o tédio
De viver como deve ser imenso,
Talvez o infinito seja isso...
Já o tédio de o pensar é horroroso.
O HORROR CONHECER
Fernando Pessoa
I
O INEXPLICÁVEL horror
De saber que esta vida é verdadeira,
Que é uma coisa real, que é [como um ser
Em todo o seu mistério [...]
Realmente real.
VII
Às vezes passam
Em mim relâmpagos de pensamento
Intuitivo e aprofundador,
Que angustiadamente me revelam
Momentos dum mistério que apavora;
Duvidosos, deslembrados, confrangem-me
De terror, que entontece o pensamento
E vagamente passa, e o meu ser volve
À escuridão e ao menor horror.
Poemas Dramáticos, Primeiro Fausto
(*) http://voloschka.deviantart.com/art/Dark-thoughts-186393644
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3 comentários:
A poesia de Pessoa é tão melancolicamente bonita... Sobretudo o heterónimo Álvaro de Campos.
Bjs
ADORO!!
E deixo para ti:
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis, 14-2-1933
gosto demais de Fernando Pessoa!
é sempre um prazer, e uma descoberta, ler algo dele!
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