Onde estou? São doze guichês à disposição dos clientes: um para atendimento prioritário (sem funcionário), dois para público em geral, um para serviços especiais e os outros vazios.
Ao pegar a senha 341, escuto um dos funcionários gritar 3-0-4. São 12:40 de uma quarta-feira.
Enquanto espero, conto não só os guichês e os azulejos do piso, mas também o número de cadeiras. 5+6+5+3+3+3+3. Vinte e oito. Reconto. Bateu certinho. Todas ocupadas, inclusive os assentos prioritários, e ainda havia gente em pé. Alguns encostados nos pilares, outros pelos cantos, desolados, mexendo nos celulares, bufando, batendo os pés no chão, olhando para o teto, cada segundo uma eternidade.
Serviço moroso, todos aguardando e um funcionário fecha o guichê, levanta, sai. O tempo se arrasta, mas não para mim, que já venho armada com o livro 1Q84 (Haruki Murakami, tomo I da trilogia) para ler dois capítulos de 20 páginas cada, além de fazer os cálculos. As cores da empresa são semelhantes as da seleção brasileira e as do BB, assim como o tempo de espera.
Sou atendida às 13:40 porque os clientes do 333 ao 339 desistiram. Onde estou? Em Rio Grande, RS, 180.000 habitantes (acabaram de me dizer que hoje somos 207.000) e uma agência de correios.
[N.A.: 15/10/14 - não sou dada à crônicas, mas a agência de correios local mereceu]
Nenhum comentário:
Postar um comentário