Sempre pensei que estava preparada para tudo na vida, e essa ideia foi se reforçando com a idade. No entanto, a auto-confiança e a situação confortável ficaram fragilizadas neste fim de semana. Eu agora posso entender porque as pessoas têm problemas de coração quando acontece uma avalanche de emoções profundas em um curto espaço de tempo. Em algum momento, nestes últimos 10 dias, eu pensei que ia desabar, mas depois de botar para fora - pelas lágrimas - sentei no sofá e não saí até me sentir melhor.
Falo de nascimentos emocionantes, de amores incondicionais, de deixar os filhos irem e de despedidas dolorosas.
Deixar minha filha partir não foi somente preparar a viagem, acompanhá-la nas filas de check-in e embarque e dar um tchau com os olhos mareados. Foi um filme passando diária e incessantemente nos olhos... a gravidez, o nascimento, os passinhos no andador, os sorrisos, os soninhos, a franjinha, as escolhas difíceis que tive que fazer, os rompimentos, as brigas, os baurus compartilhados, os zilhões de "manhêêêêê", os milhões de "tens dinheiro?", os milhares de "vem me buscar?", os trilhões de "não tem nada de bom para comer!" e por aí afora.
Agora, lá está ela indo sozinha para o Canadá, por 4 semanas. Cheia de sonhos, esperanças e planos. E eu aqui, sem poder dizer a ela, que o mundo pode ser cruel, que as pessoas podem ser más, que nem sempre ela vai ter a segurança da família, que há tantas tentações, que há tantos desvios de caminho, que não sei se já fiz tudo que tinha que fazer por ela.
Vai, filha.
Mas volta.
Mais experiente, madura, feliz.
Mas que tudo que adquirires nessa tua jornada, não tenha sido à base de tristezas ou desilusões.
Que te poupem. Que te protejam. Que te guiem.






