domingo, 22 de julho de 2012

... deixando crescer.


Sempre pensei que estava preparada para tudo na vida, e essa ideia foi se reforçando com a idade. No entanto, a auto-confiança e a situação confortável ficaram fragilizadas neste fim de semana. Eu agora posso entender porque as pessoas têm problemas de coração quando acontece uma avalanche de emoções profundas em um curto espaço de tempo. Em algum momento, nestes últimos 10 dias, eu pensei que ia desabar, mas depois de botar para fora - pelas lágrimas - sentei no sofá e não saí até me sentir melhor.

Falo de nascimentos emocionantes, de amores incondicionais, de deixar os filhos irem e de despedidas dolorosas.

Deixar minha filha partir não foi somente preparar a viagem, acompanhá-la nas filas de check-in e embarque e dar um tchau com os olhos mareados. Foi um filme passando diária e incessantemente nos olhos... a gravidez, o nascimento, os passinhos no andador, os sorrisos, os soninhos, a franjinha, as escolhas difíceis que tive que fazer, os rompimentos, as brigas, os baurus compartilhados, os zilhões de "manhêêêêê", os milhões de "tens dinheiro?", os milhares de "vem me buscar?", os trilhões de "não tem nada de bom para comer!"  e por aí afora.

Agora, lá está ela indo sozinha para o Canadá, por 4 semanas. Cheia de sonhos, esperanças e planos. E eu aqui, sem poder dizer a ela, que o mundo pode ser cruel, que as pessoas podem ser más, que nem sempre ela vai ter a segurança da família, que há tantas tentações, que há tantos desvios de caminho, que não sei se já fiz tudo que tinha que fazer por ela.

Vai, filha. 
Mas volta.
Mais experiente, madura, feliz.
Mas que tudo que adquirires nessa tua jornada, não tenha sido à base de tristezas ou desilusões. 
Que te poupem. Que te protejam. Que te guiem.

6 comentários:

Ingrid disse...

Lindo!
Um desabafo na medida do teu coração.
Um caminho de amor traçado com exatidão.
Um beijo,
Ingrid

Luciana disse...

Que post lindo!!! Chorei só imaginando os meus pequenos indo tb.

4 semanas passa tão rápido.

Queria ter escutado da minha mãe isso, que o mundo pode ser cruel, que as pessoas podem ser más...queria ter escutado isso a uns 10 anos atrás...mas talvez eu não tivesse dado ouvidos :)

Estou aqui acompanhando seu blog!!!

Lu

E disse...

que momento difícil, Alison...

e isso que você disse, sobre falar sobre os perigos do mundo, as coisas ruins, as pessoas mal intencionadas, é a preocupação que tenho com meus filhos! gostaria de envolvê-los numa manta de proteção, que só deixasse passar coisas boas...

desejo que sua filha aprenda e cresça numa jornada de eventos felizes e tranquilos! que a brisa da vida sopre de leve... que os caminhos se abram suavemente... e que ela volte ainda mais cheia de sonhos e esperança, e com o coração cheio de amor!

força, viu!
que eu sei que a saudade, a saudade às vezes dói muito...

sinta-se abraçada!
bjs

Ju disse...

Alison,
Que difícil, você me emocionou. Seja forte, tudo vai dar certo e rapidinho ela já estará de volta.

Super beijo querida.

HELENA CHRISTINA CLEBSCH VIDAL disse...

Alison,
Visito seu blog pela primeira vez e percebo que vim justo num momento tão íntimo e delicado. Se me permite, desejo tranquilidade para o seu coração. Espero que sua filha volte mais experiente, madura e feliz como desejastes.
Forte abraço,
Helena
correndodebemcomavida.blogspot.com

Joel dos Santos Leitão disse...

Que lindo esse post!
Fiquei emocionado!
Que ambas aprendam muito e que essas infinitas, intermináveis, distantes, inacabáveis q u a t r o semanas sirvam para acalorar ainda mais o amor de vocês.
Beijos!

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